Descobertas tardias - Lundu

18 de February de 2008, Monday

Minha amiga portuguesa perguntou o que era lundu e eu não sabia:

“Hoje comprei um livro numa feira da Velharias e lembrei-me de si, porque não sei o significado de “Lundus”. É da ‘Collecção de Modinhas, Recitativos, Árias, Lundus etc.’, editada em 1876 pela Livraria Popular de A.A. Cruz Coutinho, na Rua de São José, Rio de Janeiro. Só poetas brasileiros… e no meio das páginas, imagine, perdidos dois amores perfeitos…”.

Humilhada, recorri ao Tio Ozeas, que, paciente, explicou:

“O Lundu é uma dança de origem africana, mais precisamente angolana e congolesa, trazida pelos escravos. A primeira referência conhecida a ela data de 1780, quando foi vista como licenciosa e indecente. Mas logo aparecerá sob a forma de canção solista, mais comportada, portanto, no Brasil e em Portugal. Quem o apresenta em Portugal é o poeta e músico carioca Caldas Barbosa, que se acompanhava à viola e que fará sucesso em Lisboa no final do século XVIII. Não tardará para as partituras de melodias em ritmo de Lundu serem arranjadas com harmonias eruditas. Esses arranjos visavam preparar o Lundu para ser apresentado junto com modinhas para a corte portuguesa. No Brasil, com o tempo o Lundu foi se fundindo com outras danças, o que deu origem à primeira dança brasileira, o maxixe. Xisto Bahia, músico popular de muita fama nos meados do século XIX, será o nosso grande compositor de Lundu.”

Samarica Parteira

17 de February de 2008, Sunday

Eu falava no post sobre a música Karolina com K da criatividade do Luiz Gonzaga. Hoje recebi de presente uma música que não conhecia, no mesmo estilo “contador de estória”, em que Seu Lula fala do dia em que foi incubido pelo Capitão Balbino de encontrar a Parteira Samarica, porque a Dona Jovita ia parir.

Além da letra ser muito engraçada (deveria ser usada nas escolas para explicar o que é onomatopéia), o ritmo é incrível.

Samarica Parteira
Luiz Gonzaga

– Oi sertão!
– Ooi!
– Sertão do Capitão Barbino! Sertão dos cabra valente…
– Tá falando com ele!…
– …e dos cabra frouxo também.
– …já num tô dentro.
– Sertão das mulher bonita…
– Ôoopa!
– …e dos cabra feio também!

***

– Lula!
– Pronto, patrão.
– Monte na bestinha melada e risque. Vá ligeiro buscar Samarica parteira que Juvita já tá com dor de menino.

Ah, menino! Quando eu já ia riscando, Capitão Barbino ainda deu a última instrução:
– Olha, Lula, vou cuspir no chão, hein?! Tu tem que voltar antes do cuspe secar!

Foi a maior carreira que eu dei na minha vida. A eguinha tava miada.
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri… uma cancela: nheeeiim… pá!
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri… outra cancela: nheeeiim… pá!
Piriri piriri piriri pir… Êpa! Cancela como o diabo nesse sertão: nheeeiim… pá!
Piriri piriri piriri piriri…
Um lajedo: patatac patatac patatac patatac patatac. Saí por fora!
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri…
Uma lagoa, lagoão: bluu bluu, oi oi, kik’ k’ - a saparia tava cantando.

Aha! Ah menino! Na velocidade que eu vinha essa égua deu uma freada tão danada na beirada dessa lagoa, minha cabeça foi junto com a dela! E o sapo gritou lá de dentro d’água: ói, ói, ói ele agora quase cai! Sapequei a espora pro suvaco no vazio dessa égua, ela se jogou n’água parecia uma jangada cearense: [bluu bluu, oi oi, kik’ k’] Tchi, tchi, tchi. Saí por fora.

Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri… outra cancela: nheeeiim… pá!
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri…

Um rancho, rancho de pobre…
- Au au!
Cachorro de pobre, cachorro de pobre late fino…
- Tá me estranhando, Cruvina?
Era Cruvina mermo. Balançou o rabo. Não sei porque cachorro de pobre tem sempre nome de peixe: é Cruvina, Traíra, Piaba, Matrinxã, Baleia, Piranha. Há! Magrinho mas caçadorzinho como o diabo! Cachorro de rico é gordo, num caça nada, rabo grosso, só vive dormindo. Há há… num presta prá nada, só presta prá bufar. Agora o nome é bonito: é White, Flike, Rex, Whiski, Jumm. Há! Cachorro de pobe é ximbica!

– Samarica, ooooh, Samarica parteeeeira!
Qual o quê, aquelas hora no sertão, meu filho, só responde se a gente der o prefixo:
– Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo!
– Para sempre seja Deus louvado.
– Samarica, é Lula… Capitão Barbino mandou ver a senhora que Dona Juvita já tá com dor de menino.
– Essas horas, Lula?
– Nesse instante! Capitão Barbino cuspiu no chão, eu tenho que voltar antes do cuspe secar.

Peguei o cavalo véio de Samarica que comia no murturo. Todo cavalo de parteira é danado prá comer no murturo, não sei porque. Botei a cela no lombo desse cavalo e acochei a cia, peguei a véia, joguei em riba, quase que ela imbica prouta banda.
– Vamos s’imbora, Samarica, que eu tô avexado!
– Vamo fazê um negócio Lula? Meu cavalinho é magro, sua eguinha é gorda, eu vou na frente.
– Que é que há, Samarica, prá gente num chegar hoje? Já viu cavalo andar na frente de égua, Samarica? Vamo s’imbora que eu tô avexado!

Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic… nheeeiim… pá!
Piriri tic tic piriri tic tic… bluu oi oi bluu oi, uu, uu… - ói, ói, ói ele já voltoooou!
Saí por fora.
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic…
Patateco teco teco, patateco teco teco, patateco teco teco…
Saí por fora da pedreira.
Piriri piriri tic tic piriri tic tic… nheeeiim… pá!
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic… nheeeiim… pá!
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic… nheeeiim… pá!
Piriri piriri tic tic piriri tic tic…

– Uu uu.
– Tá me estranhando, Nero? Capitão Barbino, Samarica chegou.
– Samarica chegou!

***

Samarica sartou do cavalo véio embaixo, cumprimentou o Capitão, entrou prá camarinha, vestiu o vestido verde e amarelo, padrão nacional, amarrou a cabeça com um pano e foi dando as instrução:
– Acende um incenso. Boa noite, D. Juvita.
– Ai, Samarica, que dor!
– É assim mesmo, minha filha, aproveite a dor. Chama as muié dessa casa, pra rezar a oração de São Reimundo, que esse cristão vem ao mundo nesse instante. Boa noite, cumade Tota.
– Boa noite, Samarica.
– Boa noite, cumade Gerolina.
– Boa noite, Samarica.
– Boa noite, cumade Toinha.
– Boa noite, Samarica.
– Boa noite, cumade Zefa.
– Boa noite, Samarica.
– Vosmecês sabe a oração de São Reimundo?
– Nós sabe.
– Ah sabe, né? Pois vão rezando aí, já viu?

– Capitão Barbiiino! Capitão Barbino tem fumo de Arapiraca? Me dê uma capinha pra ela mastigar. Pegue Dona Juvita, mastigue essa capinha de fumo e não se incomode. É do bom! Aguenta nas oração, muiés! Mastiga o fumo, D. Juvita… Capitão Barbino, tem cebola do Cabrobró?
– Ai Samarica! Cebola não, que eu espirro.
– Pois é prá espirrar mesmo minha filha, ajuda.
– Ui.
– Aproveite a dor, minha filha. Aguenta nas oração, muiés. Mastigue o fumo, Dona Juvita.
– Capitão Barbiiino, bote uma faca fria na ponta do dedão do pé dela, bote. Mastigue o fumo, Dona Juvita. Aguenta nas oração, muiés.
– Ai Samarica, se eu soubesse que era assim, eu num tinha casado com o diabo desse véio macho.
– Pois é assim mesmo minha filha, vosmecê casou com o véinho pensando que ela num era de nada? Agora cumpra seu dever, minha filha. Desde que o mundo é mundo, que a muié tem que passar por esse pedacinho. Ai, que saudade! Aguenta nas oração, muiés! Mastigue o fumo, Dona Juvita.
– Ai, que dor!
– Aproveite a dor, minha filha. Dê uma garrafa pra ela soprar, dê. Ô muiés, hein? Essa é a oração de S. Reimundo, mesmo?
– É…
– Vosmecês num sabe outra oração?
– Nós num sabe…
– Uma oração mais forte que essa, vocês num têm?
– Tem não, tem não, essa é boa.
– Pois deixe comigo, deixe comigo, eu vou rezar uma oração aqui, que se ele num nascer, ele num tá nem cum diabo de num nascer: “Santo Antônio pequenino, amansador de burro brabo, fazei nascer esse menino, com mil e seiscentos diabo!”

[choro de criança]

– Nasceu e é menino homem!
– E é macho!
– Ah, se é menino homem, olha se é? Venha vê os documento dele! E essa voz!
Capitão Barbino foi lá detrás da porta, pegou o bacamarte que tava guardado a mais de oito dia, chegou no terreiro, destambocou no oco do mundo, deu um tiro tão danado, que lascou o cano. Samarica disse:
– Lascou, Capitão?
– Lascou, Samarica. É, mas em redor de sete légua, não tem filho duma égua que num tenha escutado. Prepare aí a meladinha, ah, prepare a meladinha, que o nome do menino… é Bastião.

Exageros de mãe

5 de February de 2008, Tuesday

Uma homenagem à minha companheira de Carnaval:

“Já te disse mais de mil vezes que não quero ver você descalço. Nunca vi uma criança tão suja em toda a minha vida. Quando teu pai chegar você vai morrer de tanto apanhar. Oh, meu Deus do céu, esse menino me deixa completamente maluca. Estou aqui há mais de um século esperando e o senhor não vem tomar banho. Se você fizer isso outra vez nunca mais me sai de casa. Pois é, não come nada: é por isso que está aí com o esqueleto à mostra. Se te pegar outra vez mexendo no açucareiro, te corto a mão. Oh, meu Deus, eu sou a mulher mais infeliz do mundo. Não chora desse jeito que você vai acordar o prédio inteiro. Você pensa que seu pai só trabalha pra você chupar Chica-Bon? Mas, furou de novo o sapato: você acha que seu pai é dono de sapataria, pra lhe dar um sapato novo todo dia? Onde é que você se sujou dessa maneira: acabei de lhe botar essa roupa não faz cinco minutos! Passei a noite toda acordada com o choro dele. Eu juro que um dia eu largo isso tudo e nunca ninguém mais me vê. Não se passa um dia que eu não tenha que dizer a mesma coisa. Não quero mais ver você brincando com esses moleques, esta é a última vez que estou lhe avisando.”

Millôr Fernandes - Texto extraído do livro “10 em Humor”.

Summertime

5 de February de 2008, Tuesday

Quando assisti, criança, à ópera Porgy and Bess, fiquei muito impressionada com aquela voz negra cantando, sentida, Summertime.

Summertime
and the living is easy
Fish are jumping
and the cotton is high

Your daddy is rich
and your mamma is good looking
So hush little baby
don’t you cry

Das várias interpretações que ouvi desta música, cada uma tem sua beleza: a triste, mas ritmada de Billie Holliday (áudio); a absurdamente sofisticada de Ella Fitzgerald (aqui, num festival em Berlim em 1968); a obra de arte do dueto de Ella e Louis Armstrong (áudio)… e, claro, a absolutamente tresloucada e forte de Janis Joplin, a primeira que conheci.

Descobri também, naquele momento, de onde vinha o dueto (bom demais de ouvir no primeiro disco da Marisa Monte) Bess, you is my woman now - que encontrei interpretado lindamente para a televisão por Cynthia Haymon e Willard White.

Porgy
Bess, you is my woman now!
You is! You is!
And you must laugh and sing
and dance for two instead of one

Want no wrinkle on your
brow, no-how
because the sorrow
of the past is all done done

Oh, Bess, my Bess,
the real happiness
is just begun!

Bess
Porgy, I’s your woman now!
I is, I is!
And I ain’t never going nowhere
unless you shares the fun

There’s no wrinkle
on my brow, no-how

But I ain’t going!
You hear me saying
if you-ain’t going
with you l’m staying

Porgy, I’s your woman now
I’s yours forever
Morning time and evening time
and summer time and winter time

Porgy
Morning time and evening time
and summer time and winter time
Bess, you got your man!

Colesterol - 3

5 de February de 2008, Tuesday

Sorvete gigante

Segundo relata Fábio, “pela primeira vez em sua vivência gastronômica sabidamente intensa, o Diogo não conseguiu dar conta de um sorvete tamanho “small”. Tudo bem que não era um cremino — aquela porcariazinha que ele comia no Habbib’s depois da seqüência de 10 ou 12 esfihas com que o seu apertado orçamento de estudante franciscano permitia arcar, de modo que ainda sobrassem uns trocos para as cervejas de garrafa no prainha. Era um “chocolate devotion” da Cold Stone. Trata-se de uma bola de sorvete com cobertura de chocolate, um brownie inteiro e gotas de chocolate — tudo amassado sobre uma pedra congelada e depositado numa casca, que o indigitado ainda quis que fosse confeitada.”

Colesterol - 2

31 de January de 2008, Thursday

Na linha da cozinha colonial, observem a receita do Bolo Luís Felipe, que corro o risco de encontrar feita em casa a qualquer momento. Há várias versões disponíveis na internet, mas fico com essa que foi enviada pela Mary (portanto é autenticamente made in Ceará):

Ingredientes

- 10 ovos;
- 300g de farinha de trigo;
- 250g de manteiga;
- 1 pires de queijo ralado;
- leite de 2 cocos;
- um pouco de bagaço de coco;
- 1kg de açúcar feito mel.

Modo de fazer

- bater as claras em neve;
- adicionar as gemas e bater bem;
- juntar a farinha de trigo, a manteiga, o queijo ralado, o leite de coco com o bagaço (sempre batendo) e por último o mel de açúcar;
- levar ao forno médio.

Colesterol - 1

31 de January de 2008, Thursday

Fiquei com vontade de experimentar tudo!

“Delícias históricas

Por Fábio de Castro

Uma pesquisa realizada no Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) resgatou, a partir de antigos manuscritos, mais de 200 receitas tradicionais de doces paulistas do século 19. Diversas foram fielmente reproduzidas pelos historiadores.

As 82 receitas testadas e aprovadas estão no livro Delícias das sinhás – História e receitas culinárias da segunda metade do século XIX e início do século XX, lançado em dezembro, e podem ser reproduzidas pelos leitores e quituteiros de plantão. (…)

Depois da transcrição e digitação de cerca de 200 receitas, 82 foram selecionadas para teste. O grupo convidou o jornalista especializado em gastronomia Fernando Kassab para adaptar as receitas para a linguagem atual, prepará-las e fotografá-las. Os pesquisadores participaram então de sessões de degustação ao longo de 40 dias.

“Uma das principais dificuldades da adaptação foi o tempo de forno, uma vez que as cozinheiras utilizavam forno de barro ou a lenha. Várias das receitas precisaram de diversas repetições até que o resultado ficasse ideal”, disse. (…)

Os quatro cadernos de receitas que foram a base da pesquisa pertenceram a Custódia Leopoldina de Oliveira, irmã de Bento Quirino dos Santos, um conhecido personagem campineiro do ciclo do café. Os manuscritos, que estavam nos arquivos da tradicional família, datam de 1863. “Nos valemos também de cadernos do início do século 19, mas em número bem menor de receitas”, explicou Eliane.

Os nomes dos doces chamam a atenção: meiguice da sinhá, beijinho de moça corriqueira, brasileirinhas, cocada gostosa, bolo da imperatriz, bolo da rainha, biscoito da casa, biscoito inglês, bolo da mãe benta, pudim de pinhão, pudim de banana da terra e fatias douradas (hoje conhecidas como rabanadas). “Havia também diversos tipos de bombocado e os beijinhos – que, ao contrário dos atuais, levavam gema de ovo em vez de leite condensado”, disse Eliane.

Nos 40 dias de degustação foram utilizados cerca de 100 dúzias de ovos, 70 quilos de açúcar, 20 quilos de farinhas variadas, 25 quilos de frutas secas e frescas e uma considerável quantidade de manteiga. Durante a produção dos doces, muitas dúvidas surgiram, de acordo com a pesquisadora. “Nem sempre as cozinheiras colocam todos os seus segredos nas receitas”, disse.

“Na receita do beijo de clara, por exemplo, pensamos que havia uma transcrição errada, porque havia necessidade de bater as claras de ovos por três a quatro horas. Descobrimos que o doce virava um suspiro comum se fosse levado à batedeira elétrica, com resultado bem diferente do que se esperava. Era mesmo preciso que as escravas batessem à mão todo aquele tempo”, explicou. (…)

A base dos doces, como na culinária portuguesa, eram o açúcar e o ovo. Mas as receitas incorporavam elementos disponíveis na região, como essência de flor de laranjeira, marmelo, pêra, doce de leite, caju, amendoim, arroz doce, além de especiarias importadas, nozes e amêndoas.

“Tinham acesso também a elementos muito utilizados pelos indígenas, como o milho e o fubá. E outros como o pinhão, que certamente vieram da influência dos tropeiros do Paraná”, disse Eliane.

Delícias das sinhás – História e receitas culinárias da segunda metade do século 19 e início do século 20. Autor: Fernando Abrahão (Org.). Editora: Arte Escrita. Preço sugerido: R$ 70. Mais informações: www.editorartescrita.com.br”

Fonte: Agência FAPESP, em 09/01/2008.

Carta a minha nova amiga portuguesa

27 de January de 2008, Sunday

Conforme prometido, registro aqui algumas das músicas bonitas do meu país. Músicas que, como a nossa culinária, “têm muito da vossa”.

Chico Buarque, Elis Regina, Tom Jobim, Luiz Gonzaga, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil (este último com a obra completa disponível na internet) já são bem conhecidos pelo mundo. Por isso, resolvi - recorrendo ao Youtube - escolher outros artistas que me vieram à cabeça.

Gente nova e de qualidade… Renato Braz interpretando Eu preciso aprender a só ser, de Gilberto Gil, e Desenredo, de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro; Lenine cantando Jack soul brasileiro; Mônica Salmaso cantando Béradêro, de Chico César, e Estranha forma de vida, em homenagem a Amália Rodrigues; Maria Rita cantando Feitio de Oração.

Fazendo jus às raízes nordestinas… Dorival Caymmi cantando O que é que a baiana tem (eternizada por Carmem Miranda) e, de autoria dele, na voz de Mônica Salmaso, a Suíte dos pescadores, para sentir um sabor do mar da Bahia; Ednardo cantando Pavão Mysteriozo, que foi usada na abertura da novela Saramandaia, de 1976; Elomar cantando Violeiro e Cantiga de amigo, que mostram que o interior do Nordeste está mais perto da Pensínsula Ibérica do que imaginamos.

Pernambuco é um caso à parte… o pout-pourri de Mestre Ambrósio; o Cordel do Fogo Encantado cantando Chover (vídeo gravado na cidade deles), Preta, Antes dos mouros e Foguete de Reis (esta na abertura dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2007); Antônio Nóbrega comemorando os 100 anos do frevo (o ritmo que você viu ser dançado nas ruas de Olinda). Misturando essas raízes com o rock, Chico Science e Nação Zumbi cantam Maracatu atômico, de Jorge Mautner, e Rios, pontes e overdrives.

Para sentir um gostinho dos sambistas… [se você gosta mesmo de samba, peço uma consultoria para o Diogo e te envio vários] Paulinho da Viola cantando Meu mundo é hoje; Clara Nunes cantando O mar serenou e (áudio) O canto das três raças, Tributo aos orixás e outras; Roberto Ribeiro cantando (áudio) Todo menino é um rei.

O que define o chorinho…. Pixinguinha tocando Carinhoso e também interpretado por Altamiro Carrilho.

O erudito que bebe no popular… O maestro Heitor Villa-Lobos interpretado por Raphael Rabello, um grande violonista brasileiro, e também por Julian Bream, John Williams e Andres Segovia.

Bom… Deixei muita coisa boa de fora desta lista, mas preciso publicá-la alguma hora… Espero que você goste.

So far away from me

30 de December de 2007, Sunday

Momento “Muro das Lamentações”, porque mesmo uma mulher moderna e incentivadora tem suas fraquezas: o clássico do Dire Straits (= mullets + teclados) ganhou sentido pra mim ontem à noite.

So far away
Dire Straits

Here I am again in this mean old town
And you’re so far away from me
And where are you when the sun goes down
You’re so far away from me

I’m tired of being in love and being all alone
When you’re so far away from me
I’m tired of making out on the telephone
And you’re so far away from me

I get so tired when I have to explain
When you’re so far away from me
See you been in the sun and I’ve been in the rain
And you’re so far away from me

So far away from me
So far I just cant see
So far away from me
You’re so far away from me

Igrejinha

26 de December de 2007, Wednesday

Igrejinha de Baturité Ceará

Esta igrejinha fica no subúrbio de Baturité, a 180 km de Fortaleza, Ceará.

O fotógrafo é amador e explica a beleza da foto assim:

“A igreja fica no topo de um morro e na frente dela desce uma escadaria larga de mais de cinquenta metros, com bancos de madeira nas laterais e um jardim de cada lado. As cores, o lugar, o conjunto, a forma desse prédio não ficam devendo nada a nenhuma beleza européia. Vocês não acham? Olhem a combinação das cores, do céu inclusive. Eu acho que quando o ‘objeto’ é bonito ele mesmo se fotografa.”

Foto: Ozeas Duarte.