Clássicos que NÃO DEVEM tocar na balada

15 de novembro de 2008

Nesta seção você contribui com a luta para evitar que certas músicas, mesmo quando boas (especialmente em um momento juvenil da existência humana), esvaziem as pistas de dança ao redor do mundo.

Primeiras sugestôes:

Ainda não superei morar em Brasília: “Tempo Perdido”, da Legião Urbana.

Toca Raul: “Tente Outra Vez”, de Raul Seixas.

Clássicos que DEVEM tocar na balada

15 de novembro de 2008

Nesta seção, você sugere videoclipes daquelas músicas que, ainda quando bizarras, fazem pessoas que nasceram entre 1975 e 1985 sacudirem o esqueleto. As melhores sugestões, obviamente segundo meu juízo trash, serão promovidas do comentário para o post.

Sugestões iniciais:

Essa é para o Geninho: “I’ll fly with you”, de Gigi D’Agostino.

Olha só o meu visual: “Pump up the Jam”, de Technotronic.

Meu computador é muito moderno, minha vaca também: “Sweet Dreams (are made of this)”, de Eurythimcs.

Repassando…

14 de novembro de 2008

Indo no embalo - um ano depois - do tal “chat line blog” da Dedé, Eva, Tata…

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);

Helena, de Machado de Assis.

2ª) Abrir na página 161;

Ok.

3ª) Procurar a 5ª frase completa;

Ok.

4ª) Postar essa frase em seu blog;

“Quando a tormenta pareceu extinta, a moça sentou-se na cama e olhou vagamente em torno de si”.

Ficou tosco.

Brando e… Gracyanne?

14 de novembro de 2008

Acho que tenho muitos motivos para dar seguimento à clássica pagação de pau, feminina e masculina, para o Marlon Brando: a camisetinha de “Um bonde chamado desejo” - hoje, com a Lei Maria da Penha, o Stanley teria problemas -, a anacrônica maloqueiragem de “O Selvagem” - vejam que ele usa boina de vovô, ouve música de vovô e ainda bebe cerveja direto da garrafa! -, a timidez no teste que fez com 23 anos… e, claro, o horror, o horror de “Apocalypse Now”.

Mais recentemente descobri que minha tietagem tem também componentes genéticos - não só de mãe, mas de vó.

Estávamos as três assistindo “Sayonara” na televisão. Em plena ocupação americana no Japão do pós-guerra, o militar americano Lloyd Gruver (Brando) declara seu amor pela artista japonesa Hana-ogi (Miko Taka). Quando ele diz “venha viver comigo, meu amor etc.”, ela vem com um papinho relutante: “Ah, não sei, sofreremos muito, nossos filhos também etc”.

Neste ponto, minha pacata e octogenária avó pula do sofá e rompe seu silêncio característico: “Vai, sua boba! Aceita logo!”.

Descobri depois que ela assistiu a esse filme, de 1957, ainda no cinema.

***

Quando eu comecei minha coleção de ímas de geladeira de falecidos galãs do cinema (por enquanto, além do Brando só tem o Paul Newman), democraticamente abri espaço pro mino pregar também suas divas. Sugeri as clássicas: Rita Hayworth, Elizabeth Taylor, Brigitte Bardot…

A resposta: “essas véias aí já eram”! Eu: “tá bom, então escolhe uma mulher atual do nível dos caras que eu escolhi”. Ele: “eu quero a Gracyanne, do Tchakabum”.

Pra quem não conhece a figura, e não considera a grafia do nome suficiente para sacar o naipe, dê uma olhada aqui e opine: ela merece lugar na minha geladeira?

A mulher de Nova

14 de novembro de 2008

Segundo a revista Nova, é nisso que mulheres pensam o dia inteiro: “1001 idéias de sexo” - “6 maneiras de chegar ao clímax” - “100 soluções para o cabelo” - “Qual a cor da sua aura?” - “Como fazer um strip-tease” - “Livre-se da ex do seu amor” etc.

A Fergie concorda, como percebe-se em sua obra-prima “My humps”. A Alanis discorda, e responde com a melhor caricatura possível.

Às vezes, indústria cultural com indústria cultural se paga.

Descobertas tardias - vinagre balsâmico

1 de novembro de 2008

Então na Itália “aceto balsamico” não significa “azeite balsâmico”, mas “vinagre balsâmico”…

E mais: “oglio” não significa “óleo”, mas - aí sim - “azeite”…

Ah, tá, entendi.

Músicas boas de curtir com a Cris - 1

1 de novembro de 2008

Perdoem-nos os beatlemaníacos (e os anti-caetânicos), mas a gente gosta muito dessa versão do Caetano.

For no one
Lennon e McCartney

Your day breaks, your mind aches,
You find that all her words of kindness linger on,
When she no longer needs you.

She wakes up, she makes up,
She takes her time and doesn’t feel she has to hurry,
She no longer needs you.

And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.

You want her, you need her,
And yet you don’t believe her,
When she says her love is dead,

You think she needs you.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.

You stay home, she goes out,
She says that long ago she knew someone but now,
He’s gone, she doesn’t need him.

Your day breaks, your mind aches,
There will be times when all the things she said will fill your head,
You won’t forget her.

And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years.

Descobertas tardias - Lundu

18 de fevereiro de 2008

Minha amiga portuguesa perguntou o que era lundu e eu não sabia:

“Hoje comprei um livro numa feira da Velharias e lembrei-me de si, porque não sei o significado de “Lundus”. É da ‘Collecção de Modinhas, Recitativos, Árias, Lundus etc.’, editada em 1876 pela Livraria Popular de A.A. Cruz Coutinho, na Rua de São José, Rio de Janeiro. Só poetas brasileiros… e no meio das páginas, imagine, perdidos dois amores perfeitos…”.

Humilhada, recorri ao Tio Ozeas, que, paciente, explicou:

“O Lundu é uma dança de origem africana, mais precisamente angolana e congolesa, trazida pelos escravos. A primeira referência conhecida a ela data de 1780, quando foi vista como licenciosa e indecente. Mas logo aparecerá sob a forma de canção solista, mais comportada, portanto, no Brasil e em Portugal. Quem o apresenta em Portugal é o poeta e músico carioca Caldas Barbosa, que se acompanhava à viola e que fará sucesso em Lisboa no final do século XVIII. Não tardará para as partituras de melodias em ritmo de Lundu serem arranjadas com harmonias eruditas. Esses arranjos visavam preparar o Lundu para ser apresentado junto com modinhas para a corte portuguesa. No Brasil, com o tempo o Lundu foi se fundindo com outras danças, o que deu origem à primeira dança brasileira, o maxixe. Xisto Bahia, músico popular de muita fama nos meados do século XIX, será o nosso grande compositor de Lundu.”

Samarica Parteira

17 de fevereiro de 2008

Eu falava no post sobre a música Karolina com K da criatividade do Luiz Gonzaga. Hoje recebi de presente uma música que não conhecia, no mesmo estilo “contador de estória”, em que Seu Lula fala do dia em que foi incubido pelo Capitão Balbino de encontrar a Parteira Samarica, porque a Dona Jovita ia parir.

Além da letra ser muito engraçada (deveria ser usada nas escolas para explicar o que é onomatopéia), o ritmo é incrível.

Samarica Parteira
Luiz Gonzaga

– Oi sertão!
– Ooi!
– Sertão do Capitão Barbino! Sertão dos cabra valente…
– Tá falando com ele!…
– …e dos cabra frouxo também.
– …já num tô dentro.
– Sertão das mulher bonita…
– Ôoopa!
– …e dos cabra feio também!

***

– Lula!
– Pronto, patrão.
– Monte na bestinha melada e risque. Vá ligeiro buscar Samarica parteira que Juvita já tá com dor de menino.

Ah, menino! Quando eu já ia riscando, Capitão Barbino ainda deu a última instrução:
– Olha, Lula, vou cuspir no chão, hein?! Tu tem que voltar antes do cuspe secar!

Foi a maior carreira que eu dei na minha vida. A eguinha tava miada.
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri… uma cancela: nheeeiim… pá!
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri… outra cancela: nheeeiim… pá!
Piriri piriri piriri pir… Êpa! Cancela como o diabo nesse sertão: nheeeiim… pá!
Piriri piriri piriri piriri…
Um lajedo: patatac patatac patatac patatac patatac. Saí por fora!
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri…
Uma lagoa, lagoão: bluu bluu, oi oi, kik’ k’ - a saparia tava cantando.

Aha! Ah menino! Na velocidade que eu vinha essa égua deu uma freada tão danada na beirada dessa lagoa, minha cabeça foi junto com a dela! E o sapo gritou lá de dentro d’água: ói, ói, ói ele agora quase cai! Sapequei a espora pro suvaco no vazio dessa égua, ela se jogou n’água parecia uma jangada cearense: [bluu bluu, oi oi, kik' k'] Tchi, tchi, tchi. Saí por fora.

Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri… outra cancela: nheeeiim… pá!
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri…

Um rancho, rancho de pobre…
- Au au!
Cachorro de pobre, cachorro de pobre late fino…
- Tá me estranhando, Cruvina?
Era Cruvina mermo. Balançou o rabo. Não sei porque cachorro de pobre tem sempre nome de peixe: é Cruvina, Traíra, Piaba, Matrinxã, Baleia, Piranha. Há! Magrinho mas caçadorzinho como o diabo! Cachorro de rico é gordo, num caça nada, rabo grosso, só vive dormindo. Há há… num presta prá nada, só presta prá bufar. Agora o nome é bonito: é White, Flike, Rex, Whiski, Jumm. Há! Cachorro de pobe é ximbica!

– Samarica, ooooh, Samarica parteeeeira!
Qual o quê, aquelas hora no sertão, meu filho, só responde se a gente der o prefixo:
– Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo!
– Para sempre seja Deus louvado.
– Samarica, é Lula… Capitão Barbino mandou ver a senhora que Dona Juvita já tá com dor de menino.
– Essas horas, Lula?
– Nesse instante! Capitão Barbino cuspiu no chão, eu tenho que voltar antes do cuspe secar.

Peguei o cavalo véio de Samarica que comia no murturo. Todo cavalo de parteira é danado prá comer no murturo, não sei porque. Botei a cela no lombo desse cavalo e acochei a cia, peguei a véia, joguei em riba, quase que ela imbica prouta banda.
– Vamos s’imbora, Samarica, que eu tô avexado!
– Vamo fazê um negócio Lula? Meu cavalinho é magro, sua eguinha é gorda, eu vou na frente.
– Que é que há, Samarica, prá gente num chegar hoje? Já viu cavalo andar na frente de égua, Samarica? Vamo s’imbora que eu tô avexado!

Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic… nheeeiim… pá!
Piriri tic tic piriri tic tic… bluu oi oi bluu oi, uu, uu… - ói, ói, ói ele já voltoooou!
Saí por fora.
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic…
Patateco teco teco, patateco teco teco, patateco teco teco…
Saí por fora da pedreira.
Piriri piriri tic tic piriri tic tic… nheeeiim… pá!
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic… nheeeiim… pá!
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic… nheeeiim… pá!
Piriri piriri tic tic piriri tic tic…

– Uu uu.
– Tá me estranhando, Nero? Capitão Barbino, Samarica chegou.
– Samarica chegou!

***

Samarica sartou do cavalo véio embaixo, cumprimentou o Capitão, entrou prá camarinha, vestiu o vestido verde e amarelo, padrão nacional, amarrou a cabeça com um pano e foi dando as instrução:
– Acende um incenso. Boa noite, D. Juvita.
– Ai, Samarica, que dor!
– É assim mesmo, minha filha, aproveite a dor. Chama as muié dessa casa, pra rezar a oração de São Reimundo, que esse cristão vem ao mundo nesse instante. Boa noite, cumade Tota.
– Boa noite, Samarica.
– Boa noite, cumade Gerolina.
– Boa noite, Samarica.
– Boa noite, cumade Toinha.
– Boa noite, Samarica.
– Boa noite, cumade Zefa.
– Boa noite, Samarica.
– Vosmecês sabe a oração de São Reimundo?
– Nós sabe.
– Ah sabe, né? Pois vão rezando aí, já viu?

– Capitão Barbiiino! Capitão Barbino tem fumo de Arapiraca? Me dê uma capinha pra ela mastigar. Pegue Dona Juvita, mastigue essa capinha de fumo e não se incomode. É do bom! Aguenta nas oração, muiés! Mastiga o fumo, D. Juvita… Capitão Barbino, tem cebola do Cabrobró?
– Ai Samarica! Cebola não, que eu espirro.
– Pois é prá espirrar mesmo minha filha, ajuda.
– Ui.
– Aproveite a dor, minha filha. Aguenta nas oração, muiés. Mastigue o fumo, Dona Juvita.
– Capitão Barbiiino, bote uma faca fria na ponta do dedão do pé dela, bote. Mastigue o fumo, Dona Juvita. Aguenta nas oração, muiés.
– Ai Samarica, se eu soubesse que era assim, eu num tinha casado com o diabo desse véio macho.
– Pois é assim mesmo minha filha, vosmecê casou com o véinho pensando que ela num era de nada? Agora cumpra seu dever, minha filha. Desde que o mundo é mundo, que a muié tem que passar por esse pedacinho. Ai, que saudade! Aguenta nas oração, muiés! Mastigue o fumo, Dona Juvita.
– Ai, que dor!
– Aproveite a dor, minha filha. Dê uma garrafa pra ela soprar, dê. Ô muiés, hein? Essa é a oração de S. Reimundo, mesmo?
– É…
– Vosmecês num sabe outra oração?
– Nós num sabe…
– Uma oração mais forte que essa, vocês num têm?
– Tem não, tem não, essa é boa.
– Pois deixe comigo, deixe comigo, eu vou rezar uma oração aqui, que se ele num nascer, ele num tá nem cum diabo de num nascer: “Santo Antônio pequenino, amansador de burro brabo, fazei nascer esse menino, com mil e seiscentos diabo!”

[choro de criança]

– Nasceu e é menino homem!
– E é macho!
– Ah, se é menino homem, olha se é? Venha vê os documento dele! E essa voz!
Capitão Barbino foi lá detrás da porta, pegou o bacamarte que tava guardado a mais de oito dia, chegou no terreiro, destambocou no oco do mundo, deu um tiro tão danado, que lascou o cano. Samarica disse:
– Lascou, Capitão?
– Lascou, Samarica. É, mas em redor de sete légua, não tem filho duma égua que num tenha escutado. Prepare aí a meladinha, ah, prepare a meladinha, que o nome do menino… é Bastião.

Exageros de mãe

5 de fevereiro de 2008

Uma homenagem à minha companheira de Carnaval:

“Já te disse mais de mil vezes que não quero ver você descalço. Nunca vi uma criança tão suja em toda a minha vida. Quando teu pai chegar você vai morrer de tanto apanhar. Oh, meu Deus do céu, esse menino me deixa completamente maluca. Estou aqui há mais de um século esperando e o senhor não vem tomar banho. Se você fizer isso outra vez nunca mais me sai de casa. Pois é, não come nada: é por isso que está aí com o esqueleto à mostra. Se te pegar outra vez mexendo no açucareiro, te corto a mão. Oh, meu Deus, eu sou a mulher mais infeliz do mundo. Não chora desse jeito que você vai acordar o prédio inteiro. Você pensa que seu pai só trabalha pra você chupar Chica-Bon? Mas, furou de novo o sapato: você acha que seu pai é dono de sapataria, pra lhe dar um sapato novo todo dia? Onde é que você se sujou dessa maneira: acabei de lhe botar essa roupa não faz cinco minutos! Passei a noite toda acordada com o choro dele. Eu juro que um dia eu largo isso tudo e nunca ninguém mais me vê. Não se passa um dia que eu não tenha que dizer a mesma coisa. Não quero mais ver você brincando com esses moleques, esta é a última vez que estou lhe avisando.”

Millôr Fernandes - Texto extraído do livro “10 em Humor”.